Falhas no processo de vacinção podem prejudicar a qualidade da imunização do plantel

10/08/20 | Ipeve

A resposta imunológica a vacinação tipicamente segue a uma distribuição normal, sendo um pequeno grupo  de animais que produz uma  resposta fraca a imunização e o restante respostas boa a ótima. Fatores imunossupressores adquiridos ou congênitos podem interferir com a habilidade dos animais responderem a vacinação. A imunossupressão por deficiências congênitas não é tão comum em suínos, porem as causas adquiridas ocorrem frequentemente. 

Falhas de vacinação podem ocorrer devido a diferentes fatores:

1) Falhas ligadas a resposta dos animais a vacinação.

2) Falhas ligadas a vacina ou falhas devido ao processo da vacinação.

 

Os fatores que podem contribuir para falhas vacinais estão relacionados na tabela abaixo.

 

O estabelecimento de um programa de vacinação completo, inicia com a eleição das vacinas que serão utilizadas. Assim, é essencial, identificar os problemas sanitários presentes, para posteriormente indicar os tipos de produtos e  composições vacinais que serão utilizados. Sempre manter o foco em utilizar produtos corretos, na idade ideal e de forma adequada.

Um dos problemas de falhas é a  ocorrência da doença logo após a vacinação. O animal requer alguns dias após a vacinação antes de desenvolver  uma resposta imune efetiva. Se o animal tem contato com o agente infeccioso próximo ao momento da vacinação, a vacina não irá ter tempo para induzir imunidade e o animal pode adoecer com a doença clínica, resultando em aparente falha de vacinação. Nesta situação, por exemplo,  os sintomas da doença irão parecer logo após a vacinação e a doença poderá ser confundida com a vacinação. Vacinas vivas  atenuadas também podem causar doenças, por exemplo, em amimais imunossuprimidos. Vacinas impropriamente manejadas (ex: uso de desinfetante na seringa)  podem falhar em induzir a resposta esperada em animais saudáveis.

Vacinas vivas, por exemplo, podem ter sua viabilidade reduzida,  se não forem mantidas em temperatura adequada ou expostas à luz.  Vacinas vencidas também não devem em nenhuma hipótese ser utilizadas. É importante também salientar que a mistura de vacinas, deve ser evitada, especialmente quando se utilizam vacinas vivas e inativadas ao mesmo tempo, já que conservantes das vacinas inativadas podem neutralizar a vacina viva. 

As falhas vacinais ligadas aos animais podem ocorrer quando estes não são  capazes de responder apropriadamente à vacina. As falhas vacinais em animais jovens podem ser, por exemplo,  devido à presença de anticorpos maternos, oriundos do colostro, que interferem na resposta imunológica. Neste caso específico, a realização de sorologias em diferentes idades, auxiliará na identificação do melhor momento da para a vacinação.

 Mesmo animais adequadamente vacinados, podem ter falhas de resposta, especialmente quando um alto desafio infeccioso quebrar esta imunidade. É o caso, por exemplo, de  animais  submetidos a alta densidade e ruim sanitização das instalações.

A imunossupressão também afeta diretamente a resposta vacinal. Ela pode ocorrer devido a uma variedade de fatores, sendo stress, má nutrição, infecções concorrentes, imaturidade do sistema imunológico. Se esta ocorre no momento da vacinação, a vacina pode falhar na indução da resposta imune adequada.

Ainda existem hoje, o uso inadequado das vacinas, por exemplo, subdosagens ou uso de uma dose ao invés de duas doses, quando a mesma é recomendada. Isto impactará sobremaneira no resultado, já que o uso do  produto deve seguir a recomendação do fabricante.

É importante salientar que o manejo da vacinação em sistemas de produção, seja ele feito na própria granja ou terceirizado, deve ser cuidadosamente executado, nos momentos mais frescos do dia, para evitar assim aplicações de subdoses, ou em locais errôneos ou mesmo provocar acidentes vacinais. O treinamento da equipe e a realização periódica de auditorias vacinais auxilia para a manutenção de um programa de sucesso!

 

 

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